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Portugal é, de longe, o destino mais procurado por brasileiros que querem trabalhar fora. Idioma em comum, cidadania europeia como porta de entrada, mercado de trabalho aquecido — os motivos são vários. Mas existe uma etapa que trava muita gente antes mesmo de embarcar: validar o diploma.
A boa notícia é que esse processo, embora burocrático, é totalmente viável. E, ao contrário do que acontece em outros países europeus, o Brasil não precisa de tradução juramentada para Portugal — os dois países falam o mesmo idioma, o que já elimina uma das etapas mais caras e demoradas.
O que você precisa é entender exatamente o que o processo exige, em qual modalidade seu diploma se encaixa e quais documentos reunir antes de partir. É exatamente isso que este artigo cobre.
O que você vai aprender:
- Por que validar o diploma é obrigatório para certas profissões em Portugal
- A diferença entre as três modalidades de reconhecimento pela DGES
- Passo a passo completo: do apostilamento no Brasil até a análise em Portugal
- Quais documentos são exigidos
- Prazos, custos e o que fazer se a sua profissão for regulamentada
- Erros comuns que atrasam o processo
Por que validar o diploma em Portugal?
Portugal adota o princípio constitucional de liberdade de escolha de profissão. Na prática, isso significa que para a maioria das áreas — como tecnologia, marketing, design, comunicação, administração e gastronomia — você não precisa reconhecer o diploma para trabalhar. O empregador decide se aceita sua formação estrangeira.
O cenário muda para as chamadas profissões regulamentadas: áreas em que o governo exige licença ou registro em ordem profissional para o exercício legal da função. Entre elas estão medicina, enfermagem, odontologia, fisioterapia, psicologia, engenharia, arquitetura, direito e medicina veterinária.
Se a sua profissão estiver nessa lista, a validação do diploma não é opcional. Sem ela, você não consegue se inscrever na ordem correspondente e, portanto, não pode atuar legalmente na área.
Você pode consultar a lista completa de profissões regulamentadas em Portugal no site da DGERT (Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho): dgert.gov.pt.
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As três modalidades de reconhecimento pela DGES
O órgão responsável pelo reconhecimento de diplomas estrangeiros em Portugal é a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). O processo é regulamentado pelo Decreto-Lei nº 66/2018 e pela Portaria nº 43/2020, e pode seguir três caminhos diferentes:
1. Reconhecimento automático
Reconhece genericamente um diploma estrangeiro quando o grau, os objetivos e a natureza do curso são idênticos aos diplomas portugueses. É o caminho mais rápido e simples, mas se aplica a um número limitado de cursos — especialmente aqueles em que universidades brasileiras já firmaram acordos de equivalência com instituições portuguesas.
Um exemplo relevante: em 2025, a Universidade de São Paulo (USP) firmou um acordo com a Universidade de Lisboa que permite aos formados em medicina pela FMUSP solicitar co-validação direta para inscrição na Ordem dos Médicos de Portugal.
2. Reconhecimento de nível
Compara o diploma estrangeiro ao grau acadêmico correspondente em Portugal — licenciatura, mestrado ou doutoramento — sem analisar o conteúdo do curso disciplina por disciplina. É mais simples do que o reconhecimento específico e é indicado para quem precisa validar o grau acadêmico para fins gerais, sem necessariamente precisar de registro profissional regulamentado.
3. Reconhecimento específico
É o processo mais completo e mais exigente. A universidade portuguesa analisa o currículo do curso brasileiro: disciplinas, cargas horárias, ementas, duração e avaliações. É esse reconhecimento que habilita o exercício de profissões regulamentadas e o acesso a programas de pós-graduação que exigem equivalência de grau.
Se você tem dúvida sobre qual modalidade se aplica ao seu caso, o site da DGES (dges.gov.pt) traz orientações e uma lista de perguntas frequentes para ajudar na identificação.
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Passo a passo: como validar seu diploma em Portugal
Passo 1: Apostile o diploma ainda no Brasil
O primeiro passo é feito antes de embarcar. O diploma precisa da Apostila de Haia — um selo padronizado que autentica documentos brasileiros para uso em países signatários da Convenção de Haia (Portugal é um deles).
O apostilamento é feito em cartórios autorizados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O custo varia por estado: em São Paulo, por exemplo, fica em torno de R$ 153 por documento; no Paraná, próximo de R$ 70. O prazo padrão estabelecido pelo CNJ é de até 5 dias úteis.
Atenção: além do diploma, você provavelmente precisará apostilar também o histórico escolar e, dependendo do tipo de reconhecimento, as ementas das disciplinas cursadas. Apostile todos os documentos acadêmicos de uma vez — economiza tempo e deslocamentos.
Uma boa notícia para o destino Portugal especificamente: como os dois países compartilham o idioma, não é necessária tradução juramentada. Basta o documento original apostilado.
Passo 2: Identifique a universidade portuguesa responsável pela análise
O reconhecimento específico — o mais exigido para profissões regulamentadas — não é feito diretamente pela DGES. Você escolhe uma universidade pública portuguesa autorizada que ofereça um curso similar ao seu, e é ela que conduz a análise.
Pesquise no site da DGES quais instituições são habilitadas para o seu curso. A escolha da universidade influencia tanto o prazo quanto os critérios de análise.
Passo 3: Submeta a candidatura pela plataforma da DGES
O processo começa com o preenchimento e envio de um formulário online na plataforma da DGES. No formulário, você indica a universidade portuguesa escolhida, seus dados pessoais e acadêmicos.
Em seguida, faz o upload dos documentos exigidos (veja a lista completa a seguir) e paga a taxa administrativa.
Passo 4: Reúna a documentação
Os documentos comumente exigidos são:
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Cópia autenticada do diploma com apostila de Haia
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Histórico escolar completo com notas, cargas horárias e apostila de Haia
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Ementas detalhadas das disciplinas cursadas (para reconhecimento específico)
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Documento de identificação válido (passaporte ou outro)
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Comprovante de pagamento da taxa administrativa
As exigências podem variar conforme a instituição e o tipo de reconhecimento. Confirme sempre diretamente com a universidade escolhida antes de enviar.
Passo 5: Aguarde a análise
O prazo médio para validar o diploma em Portugal varia bastante: de 30 dias a até 6 meses, dependendo da complexidade do reconhecimento e da demanda da instituição. O reconhecimento de nível tende a ser mais rápido; o específico, mais demorado.
Passo 6: Inscreva-se na ordem profissional (se aplicável)
Para profissões regulamentadas, a validação do diploma pela DGES é apenas uma parte do processo. Após o reconhecimento, você precisará solicitar a inscrição na ordem profissional correspondente para obter a licença de exercício.
Cada ordem tem seus próprios critérios. Médicos, por exemplo, além da validação do diploma, precisam passar por três provas (escrita, prática e pública) para ser habilitados pela Ordem dos Médicos de Portugal.
Advogados brasileiros já inscritos na OAB têm direito à inscrição direta na Ordem dos Advogados de Portugal. Engenheiros e arquitetos precisam do diploma reconhecido e da inscrição na Ordem dos Engenheiros ou na OA, conforme a especialidade.
Custos do processo em Portugal
O custo médio para validar um diploma em Portugal em 2026 varia entre €100 e €600, dependendo do tipo de reconhecimento e da instituição. Além disso, considere:
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Apostila de Haia no Brasil: R$ 70 a R$ 160 por documento (valor varia por estado)
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Taxas adicionais de cartório (reconhecimento de firma): R$ 10 a R$ 30 por assinatura
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Taxa administrativa na universidade portuguesa: varia por instituição
Erros comuns que atrasam o processo
Apostilar apenas o diploma e esquecer o histórico. A análise de reconhecimento depende do histórico escolar completo. Sem ele, o processo trava.
Não reunir as ementas das disciplinas. Para o reconhecimento específico, as ementas são obrigatórias. Solicite à secretaria da sua faculdade brasileira com antecedência — algumas instituições demoram semanas para emitir esse documento.
Escolher uma universidade portuguesa sem curso equivalente. Se não houver curso comparável ao seu na instituição escolhida, o processo de reconhecimento específico não avança. Pesquise antes de submeter.
Deixar para iniciar o processo após chegar em Portugal. O apostilamento precisa ser feito no Brasil, em cartório. Quem chega sem os documentos apostilados precisa enviar tudo de volta, o que atrasa o processo em semanas ou meses.
Trabalhar na área enquanto o processo está em análise?
Para profissões não regulamentadas, sim. Se você trabalha em TI, design, marketing ou áreas similares, pode começar a trabalhar normalmente enquanto a validação corre em paralelo — ou até sem fazê-la.
Para profissões regulamentadas, a resposta depende da ordem profissional. Algumas admitem o exercício provisório com documentação em análise; outras não. Verifique diretamente com a ordem correspondente à sua área antes de assumir qualquer posição.
O que isso tem a ver com intercâmbio?
Bastante. Muitos brasileiros que planejam trabalhar em Portugal passam antes por um período de estudos ou especialização no exterior — seja um mestrado, uma pós ou um programa de intercâmbio. Esse caminho, além de agregar ao currículo, pode abrir atalhos no processo de reconhecimento, especialmente quando há convênios entre a instituição estrangeira e universidades portuguesas.
Se você ainda está na fase de planejar essa trajetória — estudar fora, validar o diploma, construir uma carreira internacional — existe um lugar feito para isso.
Chegou a sua vez de ir para o exterior
Validar o diploma em Portugal é burocrático, mas não é impossível. Quem começa o processo com organização, documentação completa e apostilamento feito antes de embarcar tem muito menos dor de cabeça — e consegue trabalhar na área sem depender de atalhos.
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Foto de capa por Chris Boland na Unsplash