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O que muda na Europa em 2026 para quem quer ir

🕐 Tempo de leitura estimado: 12 minutos

Se você está planejando ir para a Europa para estudar ou trabalhar, 2026 é um ano de atenção redobrada.

Não porque o continente está fechando as portas — muito pelo contrário. A Europa envelheceu, precisa de profissionais qualificados e continua sendo um dos destinos mais procurados por brasileiros. Mas as regras mudaram. Algumas facilitam a vida de quem já está lá. Outras criam novos requisitos para quem ainda vai sair do Brasil. E tem mudanças que podem pegar quem planejou com base em informações antigas.

Este artigo reúne as principais alterações que entraram ou entrarão em vigor em 2026 — em ordem de relevância para quem está planejando estudar, trabalhar ou se mudar para a Europa. Nada de pauta genérica: tudo com data, impacto real e o que você precisa fazer.

O que você vai aprender:

  • O novo sistema de fronteiras que já está em vigor e o que ele significa na prática
  • O ETIAS — a autorização eletrônica que chega ainda em 2026
  • A nova lei europeia que facilita a mobilidade de trabalhadores estrangeiros no bloco
  • O que mudou em Portugal para estudantes e para quem quer trabalhar lá
  • O que o Reino Unido mudou nas regras de imigração em 2026
  • Como a Alemanha e a Espanha estão abrindo portas para profissionais qualificados

1. O fim do carimbo no passaporte: o EES já está funcionando

Essa mudança já aconteceu — e muita gente que viajou para a Europa desde outubro de 2025 já sentiu na pele.

O Entry/Exit System (EES) é um sistema de controle criado pela União Europeia para registrar digitalmente todas as entradas e saídas de cidadãos de países terceiros — pessoas que não têm nacionalidade europeia e viajam para o Espaço Schengen por períodos curtos, de até 90 dias a cada 180.

Em vez do carimbo físico no passaporte, o sistema faz automaticamente o registro de dados do documento de viagem, biometria (foto facial e 4 impressões digitais), além do local e data de entrada ou saída.

O EES começou a funcionar em 12 de outubro de 2025, de forma gradual, e terá implementação completa até 10 de abril de 2026. O objetivo central é substituir o carimbo no passaporte por um registro digital totalmente automatizado.

O que muda na prática para você:

Na primeira entrada em qualquer país do Espaço Schengen após o sistema estar ativo no aeroporto de destino, você precisará passar por um breve cadastro biométrico: escaneamento do passaporte, registro das impressões digitais e foto. Nas viagens seguintes, normalmente será suficiente apresentar o passaporte e validar a biometria — o registro tem validade prática de 3 anos, evitando repetição completa a cada vez.

O sistema calcula automaticamente os dias de permanência dentro da regra dos 90/180 dias. Quem ultrapassar o prazo será detectado automaticamente — não tem mais como "passar despercebido" como antes, quando o carimbo manual podia ter inconsistências.

Quem não passa pelo EES:

  • Cidadãos da União Europeia (e do EEE e Suíça)
  • Quem tem visto de residência válido em qualquer país do bloco
  • Quem já tem autorização de longa duração na Europa

A Irlanda e Chipre não adotaram o EES — nesses países, os passaportes continuarão sendo carimbados manualmente.

Dica prática: chegue mais cedo ao aeroporto na primeira viagem pós-EES. As filas nos primeiros meses de implementação têm sido mais longas do que o normal em alguns pontos.

2. O ETIAS chega ainda em 2026 — entenda o que é

Depois do EES, a próxima grande mudança na entrada de brasileiros na Europa é o ETIAS — e ela ainda não chegou, mas está prevista para o último trimestre de 2026.

O ETIAS (European Travel Information and Authorization System) é uma autorização eletrônica de viagem criada pela União Europeia. Ele não é um visto, mas uma autorização prévia obrigatória para cidadãos de países que atualmente entram no Espaço Schengen sem visto — entre eles o Brasil.

O modelo é parecido com o ESTA americano, que brasileiros já conhecem para viagens aos EUA.

Como vai funcionar:

  • Processo 100% online, pelo site oficial do ETIAS
  • Taxa de aproximadamente € 20 (menores de 18 anos e maiores de 70 anos ficam isentos)
  • Validade de 3 anos ou até o vencimento do passaporte
  • Resposta em até 96 horas na maioria dos casos

Importante: o ETIAS é para quem não precisa de visto para estadias curtas no Espaço Schengen — ou seja, turistas, participantes de cursos de curta duração e intercâmbios de até 90 dias. Quem já tem visto de estudante de longa duração ou permissão de residência não precisa do ETIAS.

A implementação do ETIAS depende da plena operação do EES — e após sucessivos adiamentos, a previsão mais atualizada indica que o ETIAS começará a operar no último trimestre de 2026.

O que fazer agora: nada, por enquanto. Quando o ETIAS for oficialmente lançado, haverá comunicação ampla. Fique de olho nas informações oficiais antes de qualquer viagem planejada para o segundo semestre de 2026.

3. A nova lei europeia que facilita trabalhar em múltiplos países

Essa é a mudança mais favorável para brasileiros que já estão na Europa — e que passa quase despercebida na mídia brasileira.

A União Europeia iniciará em 22 de maio de 2026 a aplicação da Diretiva (UE) 2024/1233, que cria uma permissão única combinando residência e trabalho para cidadãos de países terceiros. A medida estabelece prazo máximo de 90 dias para análise, facilita a troca de empregador sob regras claras e amplia a padronização dos direitos trabalhistas entre os Estados-membros participantes.

Na prática, o que isso significa:

A partir de 22 de maio de 2026, brasileiros com residência legal em um país da União Europeia poderão solicitar autorização para trabalhar em outro país do bloco de forma mais simples e rápida. A diretiva obriga todos os países participantes a respeitarem prazos máximos e condições iguais para todos, o que reduz muito as desigualdades do sistema atual.

Além disso, os trabalhadores de países terceiros — como os brasileiros — terão direito às mesmas condições de trabalho que os cidadãos locais. Isso inclui salário, carga horária, férias e acesso à seguridade social. Também será possível trocar de empregador após um período mínimo, definido por cada país, o que dá mais liberdade e segurança ao trabalhador.

O que não muda: A autorização de residência de um país não garante automaticamente o direito de trabalhar em outro. Será necessário apresentar um novo pedido no país de destino, que vai analisar a solicitação seguindo seus próprios critérios. Ainda assim, a diretiva obriga todos os países participantes a respeitar prazos máximos e condições iguais.

Para quem é relevante: quem já mora legalmente em algum país da UE — seja com visto de trabalho, residência por estudos ou outro título — e quer se mudar para outro país europeu sem enfrentar a burocracia antiga.

4. Portugal: o que mudou e o que está mudando

Portugal é o destino europeu mais procurado por brasileiros — e também o que passou pelas mudanças mais significativas nos últimos 12 meses. Algumas facilitam; outras complicam.

O visto de busca de emprego foi encerrado

O visto de procura de trabalho, como muitos brasileiros conheciam, deixou de existir. Até meados de 2025, era possível solicitar esse visto no Brasil e entrar em Portugal para procurar qualquer emprego legalmente, mas esse modelo foi encerrado após as mudanças na Lei dos Estrangeiros, em vigor desde outubro de 2025. Desde então, não é possível solicitá-lo — todos os pedidos novos foram suspensos.

Para 2026, o governo português sinaliza a criação de um novo visto de procura de trabalho voltado apenas a profissionais qualificados, mas essa modalidade aguarda regulamentação — não há critérios definidos, nem lista oficial de profissões, nem data para início de novos pedidos.

Fim da manifestação de interesse

A partir da nova Lei de Imigração (Lei 61/2025), não será mais possível pedir autorização de residência com base na manifestação de interesse. O estrangeiro precisa ter um visto válido emitido no país de origem para entrar legalmente em Portugal e depois solicitar residência.

Isso afeta diretamente quem planejava chegar como turista e regularizar a situação depois — esse caminho foi fechado.

O que chegou de novo: visto para profissionais qualificados

O novo visto para procura de trabalho qualificado destina-se a quem possui competências técnicas especializadas. Permite permanecer até 120 dias em Portugal para procurar emprego. Caso consiga trabalho, o titular pode pedir residência; caso contrário, deve deixar o país — e só poderá fazer novo pedido após um ano.

Estudantes em Portugal: novas regras da AIMA

Em 2026, a AIMA passou a endurecer o controle sobre a permanência e a atividade profissional de estudantes estrangeiros em Portugal. Isso significa que quem entrou no país como estudante e passou a trabalhar precisa cumprir novas regras e critérios de acompanhamento, com cruzamento de dados entre matrícula, carga horária de trabalho e situação migratória. O descumprimento pode gerar problemas na renovação da autorização de residência.

Estudantes estrangeiros com autorização de residência para estudos em Portugal podem exercer atividade profissional subordinada ou independente, desde que seja complementar à atividade que deu origem ao visto — conforme estabelece o artigo 97º do REPSAE. Mas agora o cruzamento de dados é mais rigoroso.

O que ficou melhor para quem já terminou os estudos

Aqui tem uma boa notícia: o formulário lançado pela AIMA contempla situações em que o estudante não necessita de novo visto, mas precisa de um título de residência adequado à nova fase — como um período de até um ano para procurar emprego ou criar empresa em Portugal, após a conclusão dos estudos.

Ou seja: quem já está em Portugal e terminou a graduação ou o mestrado tem um caminho mais claro para permanecer legalmente enquanto busca o primeiro emprego.

A partir de abril de 2026: pedidos de visto somente presencialmente

A partir de 17 de abril de 2026, o processo de solicitação de visto para Portugal no Brasil passará por uma mudança importante: os pedidos deverão ser feitos exclusivamente de forma presencial nos Centros de Solicitação de Vistos da VFS Global. Com essa alteração, não será mais possível enviar pedidos de visto pelos Correios.

Quem estava planejando fazer o processo por correspondência precisa rever o planejamento.

5. Reino Unido: regras mais rígidas para trabalho e imigração

O Reino Unido saiu da UE e tem sua própria política migratória — e 2026 trouxe mudanças significativas.

O Reino Unido implementou novas regras de imigração em 2026 com o objetivo de reduzir a migração irregular, reforçar o controle de fronteiras e alterar os caminhos para trabalho, proteção e residência no país. As novas regras aumentam exigências, como salários mínimos mais altos e critérios mais rigorosos para empregadores que patrocinam vistos. A medida busca priorizar trabalhadores qualificados e reduzir entradas em funções menos qualificadas.

O que muda especificamente:

Uma das principais mudanças afeta cuidadores. Novas solicitações de visto para care workers e senior care workers feitas fora do Reino Unido não são mais permitidas. Quem já está no país poderá continuar trabalhando e renovar o visto até meados de 2028, desde que cumpra os requisitos.

As regras de asilo também foram alteradas. Desde 2 de março de 2026, o status de refugiado passa a ser temporário e revisado a cada 30 meses para adultos e crianças acompanhadas que solicitarem proteção a partir dessa data.

Para brasileiros com foco em carreira qualificada, o visto Skilled Worker continua sendo o principal caminho — mas com requisitos salariais mais altos do que antes. O ETA (Electronic Travel Authorisation), que passou a ser obrigatório para brasileiros em visitas curtas ao Reino Unido, já está em vigor.

6. Alemanha: a Chancenkarte e o mercado que continua aberto

A Alemanha permanece como um dos destinos mais estratégicos para profissionais qualificados — e a Chancenkarte, lançada em junho de 2024, continua válida e em plena operação em 2026.

A Alemanha tem um problema que pode soar surpreendente: falta de mão de obra qualificada. O envelhecimento da população, combinado com uma economia industrial robusta, criou uma lacuna enorme em setores como tecnologia, engenharia, saúde e construção civil.

A Chancenkarte permite entrar na Alemanha sem oferta prévia de emprego, ficar por até 12 meses buscando uma vaga qualificada e trabalhar até 20 horas semanais durante esse período. O sistema de pontos avalia formação, experiência, idioma e vínculo com o país.

As áreas com maior demanda em 2026 incluem tecnologia, engenharia, construção civil, saúde e energia — e muitas delas permitem acesso à Chancenkarte mesmo sem diploma reconhecido, desde que a pontuação mínima seja atingida.

7. Espanha: visto de nômade digital e foco em qualificados

A Espanha também passou por ajustes relevantes na política de atração de talentos para 2026.

O visto de nômade digital tornou-se um dos mais procurados, permitindo que profissionais trabalhem remotamente para empresas estrangeiras — incluindo brasileiras — sem vínculo empregatício com companhias espanholas. Um dos requisitos é a comprovação de renda mínima mensal de € 2.600.

Para quem quer trabalhar de forma convencional, empresas espanholas têm recrutado estrangeiros por plataformas como LinkedIn e assumido parte dos custos do processo migratório em áreas com escassez de mão de obra.

O custo de vida mais baixo do que em Portugal em algumas cidades, o idioma familiar e a diversidade de regiões tornam a Espanha uma alternativa crescente para brasileiros que querem Europa sem o encarecimento de Lisboa.

Resumo: o que você precisa saber por perfil

Tanta mudança pode confundir. Aqui está um resumo prático por tipo de plano:

Se você vai fazer intercâmbio de curta duração (até 90 dias) no Espaço Schengen: O EES já está funcionando — chegue com antecedência ao aeroporto e esteja preparado para o cadastro biométrico na primeira entrada. O ETIAS ainda não é obrigatório, mas estará disponível até o final de 2026 — fique atento antes de embarcar no segundo semestre.

Se você quer estudar em Portugal: O processo de visto de estudante continua funcionando — mas os pedidos passam a ser exclusivamente presenciais no VFS Global a partir de abril de 2026. Se você trabalha enquanto estuda, atenção às novas regras da AIMA: o cruzamento de dados ficou mais rigoroso e não cumprir as exigências pode comprometer sua renovação de residência.

Se você quer trabalhar em Portugal: O visto de busca de emprego antigo foi encerrado. A nova versão, voltada para profissionais qualificados, ainda não tem regulamentação definida. Quem já terminou os estudos em Portugal pode solicitar um período de até um ano para buscar emprego sem precisar de novo visto. Quem está no Brasil precisa aguardar a regulamentação do novo visto qualificado.

Se você quer trabalhar em outro país europeu (Alemanha, Espanha, França): A Chancenkarte alemã continua sendo a opção mais acessível para quem tem formação e quer ir sem oferta de emprego. A Espanha tem o visto de nômade digital para quem trabalha remotamente. A nova Diretiva 2024/1233, em vigor a partir de maio de 2026, facilita a mobilidade para quem já está legalmente estabelecido em algum país da UE.

Se você já mora legalmente em um país da UE: A nova diretiva europeia de maio de 2026 é especialmente relevante para você — ela padroniza direitos trabalhistas e facilita a mudança para outros países do bloco, com prazos máximos de análise e direito às mesmas condições que trabalhadores locais.

Perguntas frequentes

O EES significa que vou precisar de visto para entrar na Europa? Não. O EES é um sistema de registro biométrico nas fronteiras — não um visto. Brasileiros continuam isentos de visto para estadias de até 90 dias no Espaço Schengen. O que muda é que a entrada e saída agora são registradas digitalmente, não mais com carimbo.

O ETIAS já é obrigatório? Ainda não. A previsão é que entre em vigor no último trimestre de 2026. Quando for lançado, será necessário solicitar antes de viajar — o processo é online, rápido e custa € 20.

Posso ainda fazer o processo de visto português pelos Correios? Não, a partir de 17 de abril de 2026. O pedido passa a ser exclusivamente presencial no VFS Global no Brasil.

A nova lei europeia de trabalho me beneficia se eu ainda estou no Brasil? Não diretamente. A Diretiva 2024/1233 beneficia quem já tem residência legal em algum país da UE e quer se mudar para outro país europeu. Para quem está no Brasil, o caminho ainda começa pelo visto específico do país de destino.

O visto de estudante em Portugal ainda permite trabalhar? Sim, mas com condições. Estudantes podem trabalhar de forma complementar ao estudo — mas a AIMA endureceu o monitoramento. A orientação é comunicar à AIMA antes de iniciar qualquer atividade profissional e seguir os limites legais à risca.

Considerações finais sobre intercâmbio na Europa em 2026

2026 é um ano de transição para quem tem a Europa no horizonte. As mudanças não são para assustar — mas ignorá-las é um erro que pode custar caro, seja na hora de embarcar, na renovação de um visto ou no planejamento de uma mudança para outro país do bloco.

O panorama geral segue positivo para brasileiros qualificados: a Europa continua abrindo portas para quem tem formação, idioma e estratégia. A Chancenkarte na Alemanha, o visto de nômade digital na Espanha, a nova diretiva de mobilidade da UE e até os caminhos que se abriram em Portugal para quem concluiu os estudos — tudo isso aponta na mesma direção.

Mas cada caminho tem seu prazo, seu formulário e sua regra específica. Quem se informa agora está um passo à frente.

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Foto de capa por Adolfo Félix na Unsplash

 

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Equipe Universidade do Intercâmbio
AUTOR
04 Abr 2026

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