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A primeira pergunta que aparece quando alguém começa a pensar em intercâmbio quase nunca é "o que eu vou aprender lá fora". É outra, mais dura: "quanto isso vai custar?". E a segunda costuma ser ainda mais incômoda: "e se eu não puder trabalhar?".
Faz sentido. Muitos programas de estudo, principalmente os de curta duração ou os primeiros meses de uma graduação, não permitem trabalhar ou restringem tanto a carga horária que não dá para contar com essa renda. Então a conta precisa fechar só com reserva, ajuda familiar ou bolsa.
A boa notícia é que dá para colocar números reais nessa conta. Pegamos os principais destinos procurados por brasileiros em 2026, comparamos os gastos mensais médios e calculamos quanto custa, na prática, viver seis meses fora sem renda local. E mais importante: mostramos quais tipos de bolsa cobrem exatamente essas despesas.
O que você vai aprender:
- Quanto custa, em média, viver 6 meses sem trabalhar em cada destino popular de intercâmbio
- O que pesa mais no orçamento e onde dá para economizar de verdade
- Por que dois países com câmbio parecido podem ter custos finais bem diferentes
- Quais bolsas cobrem custo de vida (não só matrícula) para brasileiros
- Como montar a estratégia certa antes de comprar passagem
A premissa do cálculo: o que "6 meses sem trabalhar" significa
Antes dos números, um ponto importante. Quando falamos em viver fora seis meses sem trabalhar, estamos pensando em um cenário bem específico: estudante com visto que não permite emprego (ou permite carga muito reduzida), em moradia compartilhada, cozinhando a maior parte das refeições em casa, usando transporte público e mantendo o orçamento focado em sobreviver bem, não em viver no centro de uma capital.
Esse perfil cobre boa parte dos intercâmbios curtos, programas de high school, primeiros meses de mestrado e até estágios não remunerados. É o cenário em que mais gente desiste do sonho porque acha que precisa ter "tudo guardado para tudo". Spoiler: não precisa.
Os valores abaixo são médias para 2026 e foram convertidos para reais usando uma cotação aproximada (USD ~R$5,50, EUR ~R$6,00, GBP ~R$7,00, CAD ~R$4,00, AUD ~R$3,60). Câmbio oscila, então use isso como referência, não como verdade absoluta.
Comparativo: custo mensal médio sem trabalhar em 2026
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Foto de Alexander Mils na Unsplash
Portugal (Lisboa e Porto)
Quartos compartilhados em zonas conectadas: 350€ a 600€. Supermercado para quem cozinha em casa: 180€ a 300€. Passe de transporte estudantil em Lisboa fica em torno de 40€. Somando contas, internet, lazer básico e seguro saúde, o custo mensal de um estudante fica entre 750€ e 1.100€ (R$ 4.500 a R$ 6.600).
Total para 6 meses: a partir de R$ 27.000.
É o destino mais barato entre os populares por uma margem grande. Idioma facilita, comunidade brasileira ajuda na adaptação e há programas de mobilidade acadêmica que cortam a anuidade.
Alemanha (Berlim, fora Munique)
Quarto em residência estudantil ou WG (apartamento compartilhado): 300€ a 600€. Seguro saúde obrigatório para estudantes: 120€ a 160€ por mês. Alimentação cozinhando em casa: 200€ a 350€. Semesterticket (transporte incluso na taxa semestral): praticamente zero adicional.
Custo mensal realista: 950€ a 1.300€ (R$ 5.700 a R$ 7.800). Para o visto de estudante, o governo exige comprovação anual em conta-bloqueada de cerca de 11.904€, ou pouco menos de 1.000€ por mês.
Total para 6 meses: a partir de R$ 34.000.
Irlanda (Dublin e cidades menores)
Quarto compartilhado em Dublin: 700€ a 1.000€. Em Cork, Galway ou Limerick: 500€ a 750€. Alimentação no supermercado: 200€ a 350€. Passe estudantil: cerca de 100€ em Dublin, 60€ a 80€ em cidades menores.
Custo mensal médio para um estudante: 1.200€ a 1.700€ em Dublin (R$ 7.200 a R$ 10.200) e cerca de 25% a menos fora da capital.
Total para 6 meses em Dublin: a partir de R$ 43.000.
A Irlanda permite trabalhar 20h por semana com o visto de estudante, mas estamos considerando o cenário "sem trabalhar". Quem encaixa renda local nesse orçamento muda completamente a equação.
Canadá (fora Toronto e Vancouver)
O governo canadense atualizou para 2026 a comprovação financeira obrigatória para visto de estudante: CAD 22.895 anuais, ou aproximadamente CAD 1.900 por mês.
Quarto em apartamento compartilhado em Montreal ou cidades de médio porte: CAD 600 a CAD 1.000. Em Toronto ou Vancouver, esse mesmo quarto facilmente passa de CAD 1.400. Mercado mensal: CAD 250 a CAD 400. Transporte: CAD 80 a CAD 150.
Custo mensal realista fora das duas capitais mais caras: CAD 1.800 a CAD 2.400 (R$ 7.200 a R$ 9.600). Em Toronto ou Vancouver: CAD 2.500 a CAD 3.500 (R$ 10.000 a R$ 14.000).
Total para 6 meses em cidade de médio porte: a partir de R$ 43.000.
Estados Unidos
A faixa varia muito. Cidades como Houston, Austin ou Orlando ficam em USD 2.500 a USD 3.000 mensais para um estudante em apartamento compartilhado. Em Nova York ou São Francisco, esse número facilmente dobra. O aluguel sozinho consome 35% a 45% do orçamento.
Saúde é o ponto sensível: como não há sistema público, o seguro obrigatório para estudantes internacionais pesa entre USD 100 e USD 300 por mês, dependendo da universidade.
Custo mensal médio em cidades não premium: USD 2.500 a USD 3.500 (R$ 13.750 a R$ 19.250).
Total para 6 meses: a partir de R$ 82.000.
Reino Unido (Londres e fora dela)
Para o visto de estudante, o governo britânico exige comprovação financeira mensal de £1.483 em Londres e £1.136 fora dela, valores que servem como piso oficial mas não como teto realista.
Quarto em casa compartilhada em zona 3 de Londres: £700 a £950. Em Manchester, Liverpool ou Leeds: £500 a £700. Passe mensal de transporte em Londres: £180. Em cidades médias: £78 a £100.
Custo mensal realista: £1.300 a £1.800 em Londres (R$ 9.100 a R$ 12.600) e cerca de £900 a £1.300 fora dela.
Total para 6 meses em Londres: a partir de R$ 55.000.
Austrália
O Departamento de Interior australiano exige comprovação anual de AUD 29.710 para visto Subclass 500, equivalente a AUD 2.476 por mês.
Em Sydney, um quarto em apartamento compartilhado no centro vai de AUD 1.200 a AUD 1.600. Em Adelaide, Brisbane ou Perth, esse mesmo quarto sai por AUD 800 a AUD 1.200. Alimentação cozinhando em casa: AUD 400 a AUD 600.
Custo mensal realista: AUD 1.800 a AUD 2.500 em cidades médias (R$ 6.500 a R$ 9.000) e até AUD 3.200 em Sydney.
Total para 6 meses fora de Sydney: a partir de R$ 39.000.
Um comparativo para te ajudar
Para facilitar a decisão, organizamos os totais aproximados em reais para 6 meses no perfil "estudante econômico, sem trabalhar, em moradia compartilhada":
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Portugal (interior ou subúrbio): a partir de R$ 27.000
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Alemanha (fora Munique): a partir de R$ 34.000
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Austrália (Adelaide, Brisbane, Perth): a partir de R$ 39.000
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Irlanda (Dublin): a partir de R$ 43.000
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Canadá (cidades médias): a partir de R$ 43.000
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Reino Unido (cidades fora de Londres): a partir de R$ 45.000
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Reino Unido (Londres): a partir de R$ 55.000
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Estados Unidos (cidades não premium): a partir de R$ 82.000
O ponto que muita gente ignora: esses valores não incluem passagem (R$ 4.000 a R$ 8.000 dependendo do destino), seguro viagem internacional (R$ 1.500 a R$ 4.000 para 6 meses), taxa de visto, mensalidade do curso e a reserva inicial para os primeiros 30 dias, que sempre custa mais do que os meses seguintes.
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O que pesa mais no orçamento (e onde dá para cortar)
Em todos os destinos, três categorias somam entre 75% e 85% do gasto mensal: moradia, alimentação e saúde/seguro. Transporte e lazer são proporcionalmente menores. Isso muda totalmente onde vale a pena focar a economia.
Moradia: a variável que decide tudo
A diferença entre alugar um quarto sozinho no centro e dividir uma casa em bairro conectado pode chegar a 60% do valor. Em cidades como Dublin, Toronto, Sydney e Londres, dividir não é uma opção econômica entre outras — é praticamente a única forma de fechar a conta sem queimar a reserva.
Bolsas para moradia no exterior: como funcionam
Residências estudantis administradas pelas próprias universidades costumam ser as opções mais baratas, especialmente na Alemanha (Studentenwohnheime) e em programas governamentais. Vale candidatar-se com meses de antecedência.
Alimentação: cozinhar não é opção, é estratégia
Cantinas universitárias (Mensa na Alemanha, restaurantes universitários em Portugal e na Espanha) servem refeições completas entre 3€ e 7€. Comer fora duas vezes por semana já dobra o orçamento de comida em qualquer destino europeu. Nos Estados Unidos e na Austrália, a diferença é ainda mais brutal.
Saúde: o gasto invisível que assusta brasileiros
Aqui é onde o sistema vai te impactar mais. Na Alemanha, Reino Unido, Canadá (após período de carência em algumas províncias) e Austrália, o estudante internacional tem acesso a sistemas públicos ou subsidiados, geralmente mediante pagamento mensal acessível. Nos Estados Unidos, o seguro privado é obrigatório e caro.
Como funcionam os sistemas de saúde para intercambistas
Quem ignora esse item no planejamento descobre depois que ele come 10% a 15% do orçamento mensal.
A parte que muda o jogo: bolsas que cobrem custo de vida
Aqui está o detalhe que o Brasil médio desconhece: existe diferença entre bolsa que cobre mensalidade e bolsa que cobre custo de vida. As primeiras são mais comuns. As segundas mudam vidas. E muitas universidades e fundações oferecem as duas combinadas para alunos selecionados.
Alguns exemplos concretos disponíveis para brasileiros em 2026:
Bolsas governamentais e programas oficiais
Fulbright (Estados Unidos): oferece dezenas de programas para brasileiros em mestrado, doutorado, pesquisa e ensino. Os mais completos cobrem mensalidade, seguro saúde, passagens e auxílio mensal para custo de vida.
DAAD (Alemanha): o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico mantém programas que financiam mestrado, doutorado e cursos de idioma com auxílio mensal entre 934€ e 1.300€, além de passagem e seguro.
Erasmus Mundus (Europa): bolsas para mestrados em consórcio entre universidades europeias com auxílio mensal robusto, mensalidade integral e passagens. As mais cobiçadas entre brasileiros.
Bolsa Eiffel (França): 1.181€ por mês para mestrado e 1.800€ para doutorado, mais auxílio para transporte e seguro.
Chevening (Reino Unido): bolsa integral para mestrado de um ano, cobrindo mensalidade, custo de vida em Londres ou fora dela, passagens e visto.
Bolsas privadas focadas em custo de vida
Garcia Family Foundation (GFF): programa específico para brasileiros já aceitos em universidades americanas. Oferece USD 8 mil anuais focados em custo de vida, justamente onde a maioria das bolsas universitárias deixa um buraco.
Instituto Ling: bolsa integral para mestrado em universidades parceiras de alto nível, com aporte que pode chegar a USD 65 mil cobrindo anuidade, moradia, alimentação, seguro saúde e passagens.
Fundação Estudar (Líderes Estudar): apoio financeiro variável conforme o caso, voltado a brasileiros aceitos em programas competitivos.
Auxílios universitários (teaching e research assistantships)
Em mestrados e doutorados nos Estados Unidos, Canadá e parte da Europa, é comum o programa oferecer um pacote chamado assistantship: o estudante trabalha algumas horas por semana como assistente de pesquisa ou de ensino e em troca recebe mensalidade integral isenta e um estipêndio mensal.
Não é exatamente "sem trabalhar", mas o trabalho está dentro do programa acadêmico e dificilmente atrapalha os estudos.
Como fazer a conta de verdade
A pergunta certa não é "quanto custa morar fora seis meses". É "quanto custa morar fora seis meses, no destino X, com o perfil Y, e que parte disso eu consigo cobrir com bolsa, ajuda familiar e reserva".
Quem responde só a primeira pergunta desiste fácil. Quem responde a segunda monta uma estratégia. E os números deixam claro: Portugal, Alemanha e Austrália em cidades médias são os destinos mais acessíveis. Estados Unidos e Reino Unido (especialmente Londres) são os que mais exigem planejamento financeiro ou bolsa robusta.
Existe uma terceira camada que poucos consideram: programas que pagam para você estar lá. Intercâmbios remunerados como o Work and Travel, programas de au pair, voluntariados internacionais com auxílio mensal, estágios pagos no exterior.
Freelancer no exterior: como trabalhar para empresas internacionais
Esses não entram no comparativo deste artigo porque pressupõem trabalho ou atividade remunerada, mas existem em quantidade muito maior do que a maioria dos brasileiros imagina.
A conta fecha. O que falta é o método.
Se você chegou até aqui é porque o intercâmbio deixou de ser ideia abstrata. Você está fazendo as contas, comparando destinos, tentando entender onde a coisa fica em pé. Esse é exatamente o momento em que o jogo é decidido: quem trata o intercâmbio como projeto, com orçamento, prazo e plano B, consegue. Quem só sonha desiste na primeira planilha.
Mas mesmo com o orçamento na ponta do lápis, sobra uma pergunta difícil: como encontrar a bolsa certa, no destino certo, na época certa, com a documentação certa? Onde concentrar o esforço? Que processo seletivo vale a pena? Como escrever um essay que efetivamente coloca você dentro?
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Foto de capa por Sasun Bughdaryan na Unsplash