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Julho e agosto na Europa são meses de alta demanda por mão de obra. Hotéis lotados, restaurantes cheios, eventos ao ar livre, lavouras em colheita. O que muitos brasileiros não sabem é que existe um caminho legal — e estruturado — para estar do lado de dentro desse movimento, trabalhando e sendo pago em euro.
Não estamos falando de trabalho irregular, nem de "dar um jeito" quando se chega como turista. Existem vistos específicos criados para isso: programas bilaterais que permitem a jovens brasileiros trabalhar temporariamente em alguns países europeus com todos os direitos trabalhistas garantidos.
O ponto de atenção é que essas vagas têm cotas anuais e processos que exigem antecedência. Se você está pensando no verão europeu de 2026 (junho a setembro), parte das janelas já passou — mas não todas. E quem começar a se preparar agora já está em posição melhor para o próximo ciclo.
Este artigo reúne o que está verificado e aberto para brasileiros em junho de 2026: três países com programa ativo, requisitos atualizados e o que você pode esperar de cada destino.
O que você vai aprender:
- O que são os vistos de Working Holiday e para quem existem
- Quais países europeus aceitam brasileiros nessa modalidade em 2026
- Os requisitos específicos de cada programa
- Que tipo de trabalho está disponível no verão europeu
- Como se preparar para não perder as próximas janelas
O que é o Working Holiday Visa e por que ele importa
O Working Holiday Visa — ou WHV — é um tipo de autorização de trabalho criada por acordos bilaterais entre países. Ele existe justamente para jovens que querem ter uma experiência no exterior sem precisar de uma oferta de emprego formal antes de embarcar. A lógica é simples: você chega com o visto, busca trabalho no destino e recebe como qualquer trabalhador local.
É diferente do visto de estudante (onde o trabalho é uma permissão secundária ao curso) e diferente do visto de trabalho tradicional (que exige oferta formal de um empregador). O WHV é a rota mais autônoma: você vai, procura, começa.
Para o verão europeu especificamente, essa modalidade é ideal. A demanda sazonal cria um mercado aberto para quem chega com disposição — e os setores que mais contratam no período não exigem formação técnica específica: hospitalidade, gastronomia, eventos, turismo e agricultura.
O dado importante é que não são todos os países europeus que têm acordo bilateral com o Brasil. Em junho de 2026, os programas verificados e ativos para brasileiros dentro da Europa são: Irlanda, Alemanha e França.
Irlanda: a opção mais flexível em 2026
A Irlanda é, neste momento, o destino com o caminho mais acessível para brasileiros que querem trabalhar no verão europeu. Dois fatores tornam isso possível.
O primeiro: desde abril de 2026, o Brasil passou a integrar a lista de países com isenção de visto de curta estadia para a Irlanda. Brasileiros podem entrar no país sem visto para estadias de até 90 dias — o que facilita o reconhecimento e a burocracia inicial de entrada.
O segundo: a Irlanda tem um programa de Working Holiday Authorization bilateral com o Brasil que continua ativo em 2026. Ele é voltado para brasileiros entre 18 e 35 anos — faixa etária mais ampla do que os programas equivalentes de Alemanha e França — e permite trabalhar livremente por até 12 meses, sem restrição de setor ou carga horária.
O que está disponível no mercado irlandês
A economia irlandesa registra desemprego entre 4,7% e 4,9% em 2026 — o que economistas chamam de pleno emprego. Na prática, significa que empregadores precisam contratar de fora para suprir a demanda, especialmente em hospitalidade, varejo, logística e atendimento ao cliente.
Para quem chega no verão, as vagas de entrada são abundantes: garçom, recepcionista, atendente, camareira, assistente de cozinha. O salário mínimo irlandês fica em torno de €13 por hora. Trabalhando 40 horas semanais, é possível acumular mais de €2.000 por mês brutos — suficiente para cobrir despesas e ainda guardar uma parte.
Dublin concentra mais oportunidades, mas Cork e Galway têm equilíbrio melhor entre vagas disponíveis e custo de vida.
O que você precisa para o WHV da Irlanda
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Ter entre 18 e 35 anos
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Passaporte brasileiro válido
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Comprovação financeira para os primeiros meses (geralmente cerca de €3.000)
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Seguro saúde internacional
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Antecedentes criminais limpos
O processo de solicitação é feito diretamente pelo portal de imigração irlandês (irishimmigration.ie). Verifique as condições atualizadas no site oficial antes de iniciar — os requisitos específicos e valores de comprovação financeira podem ser ajustados.
Alemanha: estruturado, mas com vagas limitadas
A Alemanha tem um dos programas de Working Holiday mais procurados da Europa para brasileiros. O acordo bilateral é sólido, os direitos trabalhistas são robustos e o salário mínimo nacional está em €12,82 por hora (valor de referência para 2025/2026).
O problema — e é importante falar diretamente sobre isso — é que o programa tem uma cota anual de 1.000 vistos para todos os consulados alemães no Brasil. Essa cota costuma ser preenchida rapidamente. Se você não acompanhou a abertura da cota deste ano, já não é mais possível solicitar para 2026.
Dito isso, é válido conhecer o programa agora para se preparar para a próxima abertura.
Como funciona o WHV alemão
O visto é destinado a brasileiros entre 18 e 30 anos. Permite trabalhar por até 12 meses sem precisar de oferta de emprego prévia. Atividades autônomas também são permitidas.
Para solicitar, é preciso:
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Estar dentro da faixa etária (18 a 30 anos)
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Apresentar passaporte com validade de pelo menos 90 dias além da data prevista de retorno
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Comprovar recursos financeiros: €600 por mês nos primeiros quatro meses (€2.400 no total), em conta bloqueada ou por compromisso financeiro oficial alemão
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Preencher o formulário VIDEX online, imprimir e assinar
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Agendar e comparecer ao consulado alemão responsável pela sua região no Brasil (São Paulo ou Rio de Janeiro)
A taxa consular varia conforme o câmbio e o consulado. Em 2026, o prazo médio para agendamento já ultrapassa 40 dias nos consulados brasileiros — algo a considerar mesmo para quem está se preparando com antecedência.
O mercado de trabalho no verão alemão
Na Alemanha, vagas operacionais em gastronomia, logística e varejo são as mais acessíveis para quem chega sem fluência em alemão. O desafio real: boa parte dos empregadores exige pelo menos conhecimentos básicos da língua para funções de atendimento ao público. Para funções em galpões logísticos, o inglês costuma ser suficiente.
Berlim, Hamburgo e Munique têm os maiores mercados, mas os custos de moradia são mais altos. Stuttgart e Frankfurt têm demanda sólida com custo um pouco mais controlado.
França: programa ativo, mas com vagas que esgotam no início do ano
A França tem um dos programas de Working Holiday mais populares entre brasileiros — chamado oficialmente de Visto Férias-Trabalho (ou PVT, do francês Permis Vacances-Travail). Em 2026, o programa está confirmado e ativo.
O alerta importante: as vagas disponíveis para agendamento costumam esgotar rapidamente após a abertura, em janeiro de cada ano. O consulado de Recife, por exemplo, confirmou que a campanha 2026 está aberta, mas os agendamentos são limitados. Em anos anteriores, as cotas chegaram a se esgotar em poucas semanas do início do ano. Para o verão de 2026 especificamente, as possibilidades dependem de quem conseguiu agendar no início do ano.
Ainda assim, vale conhecer as regras para o ciclo 2027 — e algumas janelas pontuais podem surgir ao longo do ano em consulados de outras circunscrições.
Requisitos do PVT França
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Ter entre 18 e 30 anos no momento da solicitação
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Ser cidadão brasileiro residente no Brasil ao solicitar o visto
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Comprovar recursos financeiros de aproximadamente €2.500
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Ter passagem de ida e volta, ou recursos para comprá-la
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Apresentar seguro saúde internacional com cobertura mínima de €30.000
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Antecedentes criminais
O processo é feito pelo portal France-Visas (france-visas.gouv.fr) e concluído no consulado competente. É gratuito — nenhuma taxa é cobrada para o pedido do visto. O visto é válido por 12 meses a partir da entrada no país e não pode ser renovado nem convertido em visto de trabalho durante a vigência.
O que esperar na França no verão
O verão francês (junho a setembro) é o período de maior movimentação turística do país. As regiões da Riviera Francesa, os Alpes e Paris concentram grande parte das oportunidades sazonais: hotéis, bistrôs, resorts, parques temáticos e produção agrícola.
O mercado de trabalho francês exige mais do idioma do que Irlanda e Alemanha para a maioria das vagas de atendimento ao público — saber francês aumenta consideravelmente as chances. Vagas em cozinha, logística e agricultura são mais acessíveis para quem tem inglês funcional.
Setores que mais contratam no verão europeu
Independente do destino, o verão europeu cria demanda em setores parecidos. Saber em quais focar melhora as chances de conseguir colocação rápida:
Hospitalidade e turismo — hotéis, hostels, resorts e parques temáticos. Vagas de recepção, governança, atendimento ao cliente e concierge. Inglês funcional costuma ser suficiente na maioria dos destinos.
Gastronomia — restaurantes, bistrôs, cafeterias e catering de eventos. Funções de cozinha (commis, ajudante, lavador) têm menor exigência de idioma. Vagas de salão exigem mais comunicação no idioma local.
Agricultura e colheita — colheita de frutas, horticultura e trabalho em vinícolas. Não exige qualificação específica nem domínio de idioma. A demanda é mais intensa em regiões rurais, mas os benefícios costumam incluir moradia e alimentação.
Eventos e festivais — a Europa tem calendário intenso no verão: festivais de música, eventos esportivos, feiras e exposições. Oportunidades em logística, segurança e atendimento ao público com contratos curtos.
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O que não está disponível: caminhos que não funcionam para brasileiros
Parte de preparar bem essa jornada é saber o que não funciona — para não perder tempo pesquisando opções que não existem para o seu passaporte.
Livre circulação de trabalho na UE — brasileiros sem cidadania europeia não têm acesso ao mercado de trabalho do Espaço Schengen de forma livre. Para trabalhar legalmente em qualquer país da UE, é preciso de um visto ou autorização específica.
Visto de turista — entrar como turista e trabalhar informalmente é ilegal em todos os países europeus. Além dos riscos de deportação e vedação de reentrada, o trabalhador fica sem nenhuma proteção trabalhista.
Países sem acordo bilateral ativo — Espanha, Portugal, Itália e Holanda, por exemplo, não têm programa de Working Holiday bilateral com o Brasil. Para trabalhar nesses países no verão, é necessário visto de trabalho tradicional — que exige oferta formal de emprego e, em muitos casos, comprovação de que a vaga não poderia ser preenchida por cidadão europeu. É um processo mais longo e complexo.
Como se preparar para não perder a próxima janela
Se você leu até aqui e percebeu que perdeu a janela de 2026, a boa notícia é que esses programas se renovam anualmente. O que define quem consegue a vaga é, quase sempre, antecedência e organização — não sorte.
Irlanda: processo relativamente flexível, com menos restrição de cotas. Pode ser iniciado com menos antecedência, mas a preparação documental e financeira ainda exige planejamento de alguns meses.
Alemanha: acompanhe a abertura da cota de 2027. O consulado não comunica uma data exata com muita antecedência, então é preciso monitorar os canais oficiais a partir de novembro. Comece a reunir documentos (extrato bancário, antecedentes criminais) com pelo menos três meses de antecedência.
França: o PVT abre em 1º de janeiro de cada ano. As vagas se esgotam rápido — em alguns consulados, em semanas. Prepare o dossiê completo ainda em dezembro e tenha tudo pronto para o dia 1º de janeiro.
Chegou a sua vez de ir para o exterior
Trabalhar na Europa no verão não é um caminho para quem tem dinheiro sobrando — é, na prática, uma forma de bancar a própria experiência internacional enquanto vive e aprende fora do Brasil. Irlanda, Alemanha e França têm estrutura para receber brasileiros de forma legal, com direitos garantidos e remuneração em euro.
O que separa quem consegue de quem não consegue não é o perfil ou o nível de inglês — é o conhecimento do processo e a antecedência na preparação. Quem começa agora já está na frente para o ciclo de 2027.
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Foto de capa por Christiann Koepke na Unsplash